Rastafári

O Movimento Rastafári, também chamado de Rastafarianismo*, consiste num movimento messiânico cuja origem remonta a Jamaica. Em parte visa retomar os a cultura africana do povo negro. Os seguidores do Rastafári entendem que Haile Selassie, que foi imperador da Etiópia entre os anos de 1930 e 1974, é o messias, o próprio Jah (Deus) na Terra.

O nome Rastafári significa “Príncipe da Paz”, o nome de Selassie antes de ser coroado imperador. A origem das crenças desse movimento religioso se deu nos anos de 1920 dentre os trabalhadores jamaicanos que enfrentavam difíceis situações de vida. A partir da leitura da Bíblia se chegou a interpretação que Selassie seria o escolhido uma vez que era o imperador de um país da África totalmente independente.

*Embora o movimento possa ser conhecido também como Rastafarianismo alguns rastas acham esse termo impróprio uma vez que o “ismo” está ligado a classificações do sistema babilônico que é duramente combatido pelos seguidores do Rastafári.

Jah

A forma como os rastas se referem a Deus, Jah, é uma contração da palavra Jeová que pode ser verificada no salmo 68:4 na versão da Bíblia do Rei James. Entende-se como sendo o messias, o prometido que faz parte da santíssima trindade.

O Crescimento do Movimento Rastafári

Como já foi dito acima acredita-se que a forte adesão ao movimento messiânico, por parte do povo jamaicano, se deu em parte pelo regime de exploração em que viviam os trabalhadores nas primeiras décadas do século passado. Em situações assim é mais fácil se entregar a crenças messiânicas. Outro ponto que torna o Rastafarianismo muito aceito é o uso de maconha, também chamada de “erva”, nos rituais.

Além disso, o Movimento Rastafári propunha o retorno do povo negro para as suas raízes africanas. Um dos nomes de maior destaque do movimento é do publicista jamaicano Marcus Garvey que é reconhecido também como um profeta por alguns seguidores rastas. O Rastafári adquiriu então caráter cultural e político, isso contribuiu para que o mesmo se espalhasse pelo mundo como um todo.

Bob Marley e a Difusão do Rastafári

O cantor e compositor Bob Marley contribuiu para a difusão do movimento uma vez que o tornou conhecido por milhões de pessoas através de suas canções. Em paralelo a música de Marley o movimento cresceu também pela imigração intensa que ocorreu nessa época.

Revalorização da Herança Africana

Um dos princípios mais importantes do Rastafári é de os negros terem orgulho de seu berço africano. Marcus Garvey foi um dos grandes incentivadores dessa retomada a cultura africana que fora roubada dos negros levados a força de sua terra-mãe em navios negreiros pelos brancos. Os seguidores rastas são ensinados que os brancos lhes fizeram lavagem cerebral para que eles esquecessem a sua cultura e o quanto seu povo é bravo.

Seria esse o motivo pelo qual a nação etíope que por duas vezes derrotou os italianos não é mencionada. A Etiópia sempre foi o grande exemplo por ser uma nação africana livre e a terra de Selassie. O contato com a natureza é essencial para retornar ao espírito africano uma vez que os ancestrais que foram levados como escravos tiveram isso tirado deles. Mesmo que não seja possível estar perto da natureza fisicamente o espírito deve estar lá junto às savanas e leões.

Renegação do Capitalismo

Para os rastas voltar à natureza africana, mesmo que não fisicamente, é fundamental para a sua crença. Por isso que os seguidores desse movimento visam ter uma vida simples e longe da subjetividade impressa pelo capitalismo. Uma forma de se sentir mais perto da natureza e de uma vida mais simples é alimentar-se de alimentos naturais, os rastafári tem uma dieta quase vegetariana. Os dreadlocks e a barba longa também são formas de se aproximar da natureza.

Rastafári – Um Movimento em Cores

Esse movimento é representado por quatro cores: verde, vermelho, amarelo e preto. O verde representa a natureza abundante da África, o vermelho o sangue derramado do povo, o amarelo a sua riqueza e o preto a pele do povo.

Maconha é Opcional

Existe uma grande confusão em relação ao uso de maconha dentre os rastas. Nem todo rasta fuma maconha uma vez que o uso da erva é opcional e não é a representação máxima da crença. A erva é usada para finalidade de purificação e não para fins recreativos.

Dieta Rastafári

Os seguidores desse movimento mantêm uma dieta quase vegetariana seguindo o segundo princípio do rastafári que é “coma apenas I-Tal” que é um termo que vem do rasta e significa puro. Nessa dieta podem entrar alguns alimentos de origem animal desde que não tenham carne suína, carne de gado e que não incluam peixes sem escamas.

O Corpo de um Rastafári é seu Templo

Um dos princípios básicos do movimento é esse e exatamente por isso que os seguidores deixam a barba crescer e cultivar os dreadlocks. Os rastas não usam produtos de origem química como tinturas, por exemplo. Também não bebem álcool e não comem carne vermelha e alimentos processados por acreditar que eles apodrecem o corpo.

A Babilônia dos Rastafári

Para o movimento Rastafári Babilônia é o sistema em que o homem negro foi escravizado pelo homem branco e no qual o primeiro ainda sofre com o preconceito do segundo. Por isso que os rastas ignoram por completo o modo de vida dos brancos, para eles isso é a Babilônia.

África – O Paraíso é Aqui

Mesmo tendo base em diversas passagens da Bíblia o movimento discorda em alguns pontos. O paraíso, para os rastas, não é depois da vida e sim aqui na Terra. A África é conhecida como Zion e seria a terra da liberdade, o local em que o povo africano pode ser livre.

O Dialeto Rastafári

O dialeto usado pelos rastafári, conhecido como Lyaric, é resultado da modificação do inglês que foi feita pelos escravos que foram levados para a Jamaica.

A Medicina e os Rastas

A medicina é um capítulo a parte na cultura dos rastas, pois eles acreditam que não se deve utilizar nenhum tipo de medicamento, que não seja natural, para a cura de uma doença. A presença de hospitais e médicos é proibida, eles acreditam que somente Jah pode curar.

Haile Selassie

No começo do século Garvey, que era considerado um profeta, disse que um novo rei negro chegaria a África como a segunda vinda de Jesus a Terra. Alguns anos mais tarde Selassie foi coroado como imperador da Etiópia e vista como sendo Jesus. Para os jamaicanos o dia 21 de abril tem um significado especial. No dia 21 de abril de 1966, Selassie, foi a Jamaica visitar a população negra do país. Para os rastas foi uma grande honra receber Selassie na Jamaica.

No ano de 1975 Selassie faleceu, porém, o povo jamaicano não aceitou esse fato e acredita que tudo é apenas uma encenação uma vez que o Deus encarnado não poderia morrer. Grande parte dos rastas acredita que o imperador retornará para libertar o seu povo. Para justificar o acontecido os rastas se apoiam numa história anônima que sugere que o rei foi induzido a hipotermia para parecer morto e no dia do julgamento retornará.

O Imperador e a Bíblia

Para os rastas Haile Selassie é o messias negro que veio para libertar o seu povo. A função desse líder seria de emancipar o seu povo e conduzi-lo para a terra divida da liberdade. Um dos fatos que tornavam Selassie a figura que era a segunda encarnação de Jesus na Terra era que ele recebeu todos os títulos sagrados como Rei do Reis, Senhor dos Senhores e Leão Conquistador da tribo de Judá.

É verdade que muitos imperadores receberam títulos como esses, contudo, Selassie recebeu todos. De acordo com a árvore genealógica Selassie seria o ducentésimo vigésimo quinto na linha de imperadores que eram descendentes do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Sendo Salassie uma encarnação de Jesus na Terra seriam os etíopes os verdadeiros israelitas.

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Categoria(s) do artigo:
Religiões

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