Vodu

Quando pensamos em Vodu é natural ter uma impressão forte, contudo, a partir do momento que entendemos um pouco melhor essa combinação de crenças chegamos a compreensão de que Vodu não é tão extremo quando pensávamos. Para começar é importante destacar que se trata de uma combinação de crenças cristãs e rituais oriundos da África. A vertente sobrenatural nesse conjunto de crenças é que mais se destaca.

Dentro do Vodu existe o culto a deuses oriundos da África e também a santos de destaque da Igreja Católica. O Vodu nasceu no continente africano e foi ganhando novos contornos bem como difusão através da época de tráfico de escravos. Pode ser chamado ainda por outros termos como Voodoo, Vodun e Vodun. A origem da palavra Vodu é de um dialeto africano e significa entidade espiritual. Atualmente existe mais de 7 milhões de adeptos dessa religião.

Conhecendo Melhor o Vodu

Os adeptos do Vodu cultuam os antepassados e ancestrais que recebem o nome de loas. Cada loa cultuado tem o seu próprio dia de celebração e nele são sacrificados animais como galinhas ou cabras que servem como agrado junto com frutas e outros alimentos. Os chefes espirituais são os hogans que são feiticeiros, as mulheres que fazem a condução dos rituais são chamadas de mambu.

Os Rituais do Vodu

A dança assim como a música estabelecida através de instrumentos de percussão tem como papel interpretar os movimentos e formas do que se deseja representar. O objetivo pode ser tanto representar animais, fenômenos da natureza assim como os loas que se deseja receber. A dança é uma forma de preparar o corpo para o recebimento dos loas.

Existem danças consideradas sagradas e outras profanas, contudo, não há uma separação clara entre os dois tipos. Os sentimentos como dor, luto, vida, morte entre outros são representados por meio de músicas e danças. A alma se libertaria dos seus temores e do que lhe traz peso. As diferenças que são observadas nas danças e músicas nos rituais tem ligação aos loas que se deseja invocar.

Por exemplo, quando se faz danças mais alegres e com algo de obsceno se está invocando loas como os Guedes que são os senhores da morte. Já quando se faz danças com movimentos de serpente com sinuosidade se está realizando rituais Yamvalu que tem ligação com o deus cuja forma é uma serpente. O papel dos tambores tocados nos rituais é muito importante uma vez que representam as palavras dos loas podendo ir da alegria para a tristeza e vice-versa. Esses tambores são fabricados a partir de troncos que são escolhidos com todo cuidado.

Quais São os Principais Rituais do Vodu?

Ritual Rada

Um tipo de ritual que tem como foco a aristocracia dos loas da África que tem como função manter a estabilidade das famílias bem como das tribos e do universo como um todo. Trata-se de um tipo de ritual que conta com grande prestígio e que usa três tambores confeccionados com couro de boi como matéria-prima.

Ritual Petro

Nesses rituais existe um espírito mais violento que pode se justificar pelo fato de que os escravos viviam subjugados pelos senhores. Os loas desse tipo de ritual tem o desejo de vingança e se portam como justiceiros. Esses rituais contam com dois tambores que são feitos de pele de cabra.

Ritual Zandor

Os rituais conhecidos como Zandor são de certa maneira secretos e não se sabe muito sobre eles, acredita-se que sejam uma mistura dos outros dois tipos de rituais. Os seguidores do voduísmo acreditam que são nesses rituais que os iniciados passam a ter a capacidade de assumir as formas de animais através de sucos feitos com plantas específicas.

Vertentes do Vodu Pelo Mundo

Vodu na África

Na África Ocidental o Vodu (chamado de Vodun) é diferente das vertentes que se espalharam por outros continentes. Trata-se de uma religião tradicional dessa região especialmente nos países de Gana e Nigéria. O que a diferencia é não ter o sincretismo com a religião católica que se mostrou necessário para que o Vodu pudesse ser praticado fora da África pelos escravos.

Vodu no Haiti

Nesse país o Vodu é a religião de grande parte da população e tem um papel preponderante inclusive na organização política do Estado. Em geral os governantes haitianos se proclamavam como poderosos homens sobrenaturais uma vez que junto ao seu poder de governo também eram feiticeiros eficientes. Muitos dos governantes também conduziam as danças cerimoniais do Vodu.

Essa vertente de Vodu se espalhou por outros países como República Dominicana, Estados Unidos e Cuba através de haitianos que migraram levando as suas tradições religiosas. A força dessa religião no Haiti se explica pelo fato de que grande parte dos africanos levados como escravos para esse país eram da África Ocidental. Nesse país o Vodu é protegido pela constituição.

Vodu nos Estados Unidos

A palavra Voodoo é a mais popular nos Estados Unidos, mas pode representar uma ofensa para as comunidades que tem suas práticas oriundas da Diáspora africana (imigração forçada pelos séculos de escravidão do povo negro). A forma Voodoo é mais usada para a tradição creole de Nova Orleans. Já a palavra Vodou é usada para a tradição trazido pelo povo haitiano. Na Luisiana também existe tradição Voodoo proveniente dos povos da diáspora africana e que é praticada usando a língua francesa.

Vertentes do Vodu no Brasil

O Vodu chegou às Américas através do comércio de escravos e no Brasil se difundiu de maneiras diferentes pelos estados recebendo nomes diferentes. A vertente desenvolvida na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro é conhecida como Candomblé jeje. No estado de Pernambuco é chamado de Xangô e nos estados do Amazonas e Maranhão é conhecido como Tambor de Minas.

Sincretismo Religioso do Vodu

Observa-se que as vertentes do Vodu que se desenvolveram fora do continente africano apresentam sincretismo com a religião católica com o culto a alguns santos da igreja. Essa mistura de religiões surgiu porque os praticantes do Vodu precisam esconder o seu culto daqueles que os escravizaram. Dessa forma alguns espíritos eram cultuados através da figura de santos.

Quanto mais o tempo passava mais os adeptos do Vodu encontravam semelhanças entre os seus deuses e os santos da Igreja Católica. Além disso, tradições católicas como o sacrifício de cordeiros eram facilmente assimiladas por esses escravos africanos uma vez que no Vodu também são feitos sacrifícios semelhantes.

Loas do Vodu

Como já explicamos os loas são as entidades cultuadas no voduismo, abaixo listamos alguns dos principais e que são comuns a diferentes vertentes:

  • Ague-Traoyo – Trata-se do deus do mar que protege os marinheiros.
  • Alegda – Embora seja o deus dos males bastante temido também é o deus da vida.
  • Elaga – Conhecido como o deus dos viajantes.
  • Elizi Freda Dahomey – A deusa do desejo sexual é entendida como sendo a versão de Afrodite do Vodu. Antes ela era apenas a deusa da fertilidade, contudo, com o passar do tempo também passou a ser a deusa do ideal do amor. Como é muito bela já conquistou todos os loas do panteão do Vodu. As histórias sobre essa loa contam que ela nunca se sente inteiramente amada e sai sempre insatisfeita de suas relações amorosas.
  • Eshu – É o deus da vingança.
  • Guedes – Consistem em deuses da morte que podem tanto ser assustadores como ser ridículos.
  • Iemaya – É a deusa do mar.
  • Legba – Esse deus é o deus do portal que é usado pelos mortais e pelas entidades sendo então o responsável por seu deslocamento. Também é o senhor dos encantamentos e tem como destaque o conhecimento do futuro assim como do destino das pessoas. 
  • Obatala – Entendido como sendo o deus do bem.
  • Ogu – A palavra Ogu significa ferreiro e esse loa tem para o Vodu a mesma importância que Vulcano e Marte tinham para os romanos. Dentre os sacrifícios que são feitos para esse loa estão galos e cachorros. Conhecido ainda por ser o deus da política e responsável pelos acidentes.
  • Orula – Trata-se do deus do destino.
  • Sambayah Dambayah Wedo – O nome desse loa significa ventre da serpente sagrada que é DAN o deus serpente. Esse é o deus do dinheiro que é responsável por dividir a fortuna. Tem preferências por lugares úmidos e tem grande relevância para os adeptos do Vodu. Existe inclusive uma lenda de que em alguns momentos essa entidade deseja deixar a terra e ir para o céu deixando um caminho (o arco-íris) no final do qual os homens poderão encontrar um tesouro de presente assim como a felicidade enquanto viver.
  • Sakapta – O deus das enfermidades e das pragas é muito temido, pois se estiver irado pode ser responsável por dizimar famílias inteiras.
  • Shango – Conhecido como o deus do raio e do fogo.

Sem Escrituras, Sem um Líder

Uma das principais características do Vodu é não ter um líder como a Igreja Católica tem o Papa e nem mesmo escrituras como a Bíblia dos cristãos.

Afinal, o Vodu é Mau?

Como tudo no mundo o Vodu tem um lado bom e um lado mau, em princípio se trata de uma religião com os seus próprios ritos e deuses. A imagem negativa atribuída ao Vodu se deve em parte ao fato de que os senhores de escravos sabiam que as reuniões para a prática dos rituais também serviam para que os escravizados discutissem formas de se libertar. Então logo se atribuiu caráter demoníaco as práticas para evitar que elas acontecessem.

Magia Negra X Magia Branca

Existe intensa discussão a respeito da magia negra por trás do voduismo, de uma forma geral os adeptos desse tipo de ritual o fazem para garantir o bem-estar das pessoas que lhe são queridas assim como benefícios para si mesmos. Na magia branca a lógica é a mesma.

O que dá a propriedade má para um ritual é o sentimento daquele que o pratica e não necessariamente a entidade a que se serve uma vez que entidades não são nem boas e nem más. A crença de que o Vodu é uma religião direcionada a feitiços e ao uso de magia negra se deve a muitos filmes. Contudo, trata-se de uma religião focada em obter cura e bem-estar para as pessoas de quem se gosta.

E as Bonecas do Vodu?

Uma das imagens mais associadas ao Vodu é o uso de bonecas para infligir dor e malefícios aos inimigos. Contudo, as bonecas raramente são usadas, elas são muito mais relevantes em rituais de Hoodoo que é outra religião.

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Categoria(s) do artigo:
Religiões

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