Judaísmo Humanístico

Os preceitos religiosos sempre fizeram parte do mundo, desde os primórdios da humanidade até os tempos de hoje. Se compararmos tal período com os antigos, podemos ver que a religião tornou-se um assunto de muita complexidade. Isso pode ser evidenciado na gama de religiões existentes, que podem passar de 3 mil no mundo todo.

Uma religião, geralmente, consiste em um sistema onde há um ou mais seres centrais, nos quais são atribuídos á eles poderes divinos. Uma das religiões mais conhecidas, além de ser a maior hoje em funcionamento, é o Cristianismo. É uma típica religião onde há um ser supremo, que é Deus, e, todos os seus fiéis (são contabilizados 2,2 bilhões de fiéis por todo o mundo, mais de 30% da população mundial) tem como dever adorá-lo e seguir todos os seus mandamentos.

No entanto, existem casos de religiões que não pregam a adoração de um ser divino, mas, sim, viver na sociedade com os preceitos de uma determinada seita. É sobre isso o tema do nosso artigo de hoje. Aqui, você vai conhecer um pouco mais sobre o Judaísmo Humanístico e algumas informações interessantes a respeito dele. Vamos lá?

O Conceito de Judaísmo Humanístico

O Judaísmo Humanístico tem como característica a inclusão de todos os valores e culturas do judaísmo, mas com o oferecimento de uma seita não teísta, isto é, sem a necessidade de se creditar a vida a algum ser divino – no caso, Deus- vivendo como um ser agnóstico, mas com preceitos definidos.

Os judaístas humanistas consideram que a cultura judaica é história e muito valorosa, convidando a todos os humanistas a viverem como verdadeiros judaicos, participando de festas judaicas e de momentos que simulam o ciclo de vida, como bar e bat mitzvahs, casamentos, entre outros. 

Suas raízes filosóficas estão ligadas aos seguintes preceitos:

  • Um judeu é aquele que gosta e se identifica com as práticas judaicas, desde as mais antigas até as mais recentes;
  • O judaísmo deve ser considerado uma cultura de ordem histórica, criada por judeus. Deve ser considerada , também, que a prática de religião entre os Judeus foi adicionada tempos depois, sendo que ela não pode ser confundida com o judaísmo em geral;
  • O judaísmo e a sua identidade estaria mais bem preservada em um ambiente pluralista, livre, ou seja, sem a adoção de um sistema conservador.
  • As pessoas que escolhem ser judaístas tem plena liberdade para moldar suas vidas a seu próprio gosto, sem se preocupar com agentes sobrenaturais;
  • A moral, bem como a ética, devem ser exclusivos para o bem humano, e devem ser usadas baseando-se nas consequências advindas da ação, e não em escolhas e regras pré-determinadas;
  • A história judaica é uma história de vida, uma saga da responsabilidade e convivência da sociedade. Já a Bíblia, é um livro produzido por humanos que seria mais bem estudado se fosse analisado por arqueólogos e cientistas específicos;
  • A liberdade e dignidade da sociedade, bem como a dos judeus, devem estar andando de mãos dadas, para uma melhor convivência pacífica.

As Origens do Judaísmo Humanístico

O judaísmo humanístico teve uma origem recente – em 1963- pelas mãos de Sherwin Wine, um rabino que fora instruído através dos preceitos do judaísmo reformista em uma pequena assembleia secular não- teísta. Wine exaltava a cultura e identidade judaica, apresentando a ética humanista. A diferença é que o rabino não apresentava qualquer adoração ou menção a Deus, sendo nítida a sua intenção, que era a de elevar o judaísmo a um estado de identidade, não de religião.

Suas pregações tiveram início no Templo Birminghan, em Michigan. Logo, espalhou-se pelos Estados Unidos e Canadá. Hoje, são contabilizados cerca de 10 mil membros, que estão espalhados em vários templos erguidos por todo os EUA e em algumas cidades canadenses, sob o nome de Sociedade para Judeus Humanistas. Anos depois, em 1986, foi fundado o Instituto Internacional do Judaísmo Secular Humanista, que tem por objetivo formar e educar líderes sobre os preceitos humanistas do judaísmo.  Tem sede em Jerusalém, terra considerada sagrada por várias congregações religiosas. 

É de se pensar que a corrente judaica humanista sofra críticas de grupos tradicionalistas e conservadores mais fervorosos. E isso é recorrente, sobretudo em locais onde o judaísmo conservador é mais presente. No entanto, o grupo humanístico é unânime nesse quesito. Dizem que o judaísmo humanístico é somente mais uma corrente do judaísmo e, por ora, tem o direito de se manifestar do jeito que bem entenderem, respeitando os ideais, valores e, principalmente, o ser humano.

O Judaísmo Humanístico na Prática

Os judaístas humanistas pregam, como já escrito no começo desse artigo, a igualdade entre os judeus e as pessoas de outras religiões ou as que não possuem uma religião. Por conta de sua liberdade religiosa, é possível deduzir que alguns processos podem ser mais fáceis nessa corrente judaica do que na corrente conservadora.

Um exemplo disso é o casamento. As correntes judaicas mais tradicionais rechaçam o casamento entre judeus e não judeus, alegando que seria uma coisa impura. No entanto, os judeus humanistas aprovam tais atos, pois acreditam que o casamento misto não iria propiciar mal algum ao casal, dizendo que o casamento entre pessoas de etnias distintas é uma consequência natural da liberdade de escolha das pessoas, entrando ai a pluralidade do sistema judaico- humanista. 

A corrente também é mais flexível que as outras em se tratando do acolhimento dos LGBT’S, ou seja, gays, lésbicas e afins que desejam seguir os preceitos do judaísmo. Além disso, o movimento humanista presente nessa corrente judaica ainda promove a elevação de mulheres como rabinos, sendo que a primeira ordenada pelo movimento foi Tamara Kolton, tendo a sua ordenação realizada há 17 anos, em 1999.

Posicionam-se, também, favoráveis ao direito da mulher de escolher se deseja ou não abortar, enquanto grávida. Dizem que tal decisão só cabe respeito às mulheres, em consonância com sua ética e personalidade. Criticam, ainda, leis que retiram tal direito da mulher. Vale lembrar que o aborto é um dos temas mais polêmicos da atualidade. 

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Categoria(s) do artigo:
Religiões

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