Maniqueísmo

A religião é um dos assuntos mais polêmicas do mundo, atualmente. Isso porque o planeta é essencialmente religioso, por conter mais de 3 mil doutrinas e seitas que se consideram religiosas. Dessas, três se destacam como sendo as maiores, como o Cristianismo, o Islamismo e o Hinduísmo. 

O Cristianismo, por sua vez, é a maior religião do planeta, sendo, também, a mais influente. A religião acredita em uma só entidade divina, que, no caso é Deus, e reconhece em Jesus Cristo como filho único de Deus que veio a Terra com a missão de evangelizar os povos e salvá-los do pecado original cometido por Adão e Eva no começo da população humana.

O Cristianismo teve origem pelas mãos de Jesus Cristo, antes do mesmo ser crucificado e morto para salvar a todos dos pecados cometidos pela humanidade desde o início de sua existência. 

Por conta de sua importância, o cristianismo foi e ainda é alvo de vários estudos, que buscam desvendar os maiores mistérios que rondam a religião.  Outros estudos querem apenas entender o contexto em que a religião cristã está colocada. E é esse o assunto do nosso artigo de hoje. Iremos falar sobre o maniqueísmo, e como essa corrente surgiu no meio religioso. Vamos lá? 

A Origem do Maniqueísmo

O maniqueísmo nada mais é do que uma corrente filosófica que teve origem no século III depois de Cristo pelas mãos do filósofo Maniqueu, declaradamente cristão. A corrente se caracteriza como a divisão dos meios entre bons e maus. Resumindo, tudo aquilo que tinha origem material, era considerado mau. E, tudo aquilo que era proveniente dos espíritos era considerado bom. Com o tempo, a corrente filosófica foi ficando amplamente conhecida, e o termo “maniqueísmo” passou a simbolizar a divisão entre o bem e o mal.

A corrente filosófica começou a tomar corpo logo após da decadência do gnoticismo primitivo no meio greco-romano.  Na região persa e babilônica, nos idos do século III, começara a surgir os movimentos que iriam compor o maniqueísmo, sendo que o seu autor era o filósofo de origem persa Maniqueu – também chamado de Mani – que utilizava elementos encontrados no zoroastrismo, no hinduísmo, no budismo, no judaísmo e no cristianismo, a fim de sincretiza-los em uma verdade única e indiscutível. 

Para isso, Mani considerava que Buda, Zoroastro e Jesus eram os verdadeiros “pais” da justiça, e, unindo todos os ideais de tais líderes, Mani pretendia, depois de uma religiosa revelação, reunir todos os elementos defendidos por cada um dos três líderes religiosos, para revelar-se em um elemento único – seria essa a verdade universal.

De acordo com as ideias propostas por Mani, existem dois reinos: o Reino da Luz, onde tudo seria bom e não haveria sofrimento; e o Reino das Trevas, onde a dor e o ódio existiam em excesso. Os dois reinos teriam dado origem ao mundo material, que, como já se sabe, é essencialmente mal. Para que isso se revertesse, os pais da justiça vieram à Terra, cada um em uma época distinta da história humana, com o princípio de ajudar as pessoas a encontrarem o caminho da luz.

O último teria sido Jesus, que foi morto pelos judeus por não concordarem com suas posições. Mani diz que a morte de Jesus, bem como as mensagens transmitidas pelos outros pais da justiça se justificam numa clara falha cometida por eles ao transmitir a mensagem divina, e que caberia, então, a Mani, realizar a transmissão de tais mensagens aos fiéis. Ele se dizia o paráclito, que foi prometido por Cristo antes de seu calvário.  Paráclito, por sua vez, significa “aquele que encoraja, aquele que reanima”. Ou seja, estaria incumbido a Mani realizar os trabalhos que não foram concluídos pelos pais da justiça. 

Os preceitos maniqueístas alcançaram muitos adeptos, tendo chegado até as fronteiras com a China e a porção norte da África. No entanto, o Império Romano não via com bons olhos a doutrina maniqueísta, e passou a perseguir a todos que se predispusessem a seguir os mandamentos maniqueístas.

Com a intensificação da perseguição contra os maniqueístas, Mani acabou capturado pelas forças militares romanas, sendo julgado e condenado à morte, sendo crucificado – assim como Jesus-, como forma de punição, ainda no século III. No entanto, o maniqueísmo não acabou por ai.  Muitos dos seguidores de Mani continuaram com suas práticas, mas, dessa vez, escondidas da realidade romana, por conta do medo das perseguições.

A Igreja Católica, que também era perseguida pelos romanos, condenava a prática maniqueísta, e isso se aprofundou com a nomeação do cristianismo como a religião oficial do Império Romano – que coincidiu com a decadência do império- quando a prática maniqueísta foi considerada herética pelas autoridades cristãs. No entanto, o maniqueísmo manteve-se vivo por muitos séculos, tendo perdido força somente na Idade Média, época do auge da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana). 

O Maniqueísmo Visto Pelo Povo

O maniqueísmo era visto pelas pessoas como simplista demais, por conta da divisão entre bem e mal. Consideram que uma religião é muito mais complexa para se resumir apenas nisso. Por exemplo, crer sempre que uma pessoa boa sempre será boa, sem nenhum desvio em seu caráter, ou crer que uma pessoa má praticará sempre a maldade é algo bizarro para os dias de hoje. Tanto é que, quem pensa dessa maneira, diz –se que possui o pensamento maniqueísta.

Por conta do dualismo presente na doutrina maniqueísta, a expressão “maniqueísmo” passou a ser utilizada para definir qualquer perspectiva que venha a dividir a realidade em aspectos incompatíveis ou opostos.

O maniqueísmo também é muito utilizado no mundo hoje, mas muitas pessoas não se dão conta disso. Tudo aquilo que é considerado certo, ou considerado errado, pode ser considerado como um pensamento que compartilha os fundamentos da doutrina fundada por Mani. Isso mostra também um pensamento bastante limitado, já que, nem sempre, uma coisa será considerada errada para sempre. Para um mundo em constante evolução como o nosso, é de se esperar que os pensamentos maniqueístas não tenham mais tanto efeito sobre a maioria das nações. 

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Categoria(s) do artigo:
Religiões

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