Ismaelismo

A corrente do islã chamada Ismaelismo é uma dissidência do xiismo, subdivisão do islã. Pode parecer um pouco confuso, mas conhecendo a história de como o islã foi dividido em xiita e sunita fica mais compreender como surgiu o grupo conhecido como Ismaelismo. Por ser uma corrente minoritária dentre os xiitas não é muito conhecida. Algumas vezes essa corrente é grafada erroneamente como “ismailismo”.

Ismaelismo

Ismaelismo

O Islã

Trata-se de uma religião monoteísta que tem como sua base o Alcorão, livro sagrado em que estaria o texto que seria a palavra literal de Deus. Os adeptos do Islã são chamados de muçulmanos e entendem que Maomé foi o último profeta.

A Divisão do Islã em Xiita e Sunita

Para que seja possível compreender a divisão dos xiitas que deu origem ao Ismaelismo é importante compreender como o islã se subdividiu em suas duas correntes principais: xiita e sunita. Tudo começou com o falecimento do profeta Maomé em 632, nesse momento o comando religioso passou para o seu sogro chamado Abu Bakr que passou a ser conhecido então como Khalifat rasul Allah que significa o sucessor do mensageiro de Deus.

Porém, o sogro de Maomé veio a falecer logo em seguida de maneira que foi necessário eleger um segundo califa para o comando religioso. O escolhido foi Omar, mas como sua aceitação não foi completa pelo grupo ele acabou sendo assassinado no ano de 644. Antes de falecer Omar havia escolhido um grupo de eleitores que foi responsável por escolher seu sucessor, Uthman (também grafado como Otman).

Ali – Primo e Genro de Maomé

A escolha de Uthman não se mostrou satisfatória para quem já não havia aceitado bem Omar. Isso porque parte dos seguidores do Islã acreditavam que já no lugar de Omar quem deveria ser o califa era Ali que era genro e primo de Maomé. Essa insatisfação com a escolha do califa gerou o grande cisma no Islã alguns anos após a morte do grande profeta.

Os Xiitas e os Sunitas

Aqueles que eram partidários de Ali como sucessor de Maomé passaram a ser chamados de xiitas. Para esse grupo o califa devia ter descendência direta com o profeta. O restante dos seguidores do Islã que não concordavam com essa questão da descendência recebeu o nome de sunitas.

Como argumento os xiitas usavam a última mensagem que Deus havia transmitido através de Maomé. No Ghadir-e-Khum, que significa “Vale do Lago”, Maomé reuniu o povo e disse que a mensagem de Deus era a seguinte: MAN KUTUM MOWLAHU FA-ALI MOWLA que significa “Para aqueles para quem eu sou senhor, Ali também será senhor”.

Imãs

Os xiitas reconheceram nos descendentes de Ali os seus imãs, guias espirituais. Porém, foi exatamente na questão de reconhecimentos dos imãs que surgiu a segunda divisão que deu origem aos Ismaelitas. Tudo ia bem até que chegou o sexto imã chamado Jafar as-Sadiq que teve dois filhos cujos nomes eram Ismael e Mussa. Para os ismaelitas Sadiq nomeou Ismael como o seu sucessor. Porém, Ismael morreu em 762, três anos antes de seu pai.

A grande discussão que surgiu é que alguns xiitas começaram a pensar que na verdade Ismael se escondeu a mando do seu pai. Assim surgiu a discussão a respeito de quem deveria ser o sétimo imã. Parte dos xiitas consideravam que Mussa deveria então ser nomeado enquanto outros – que passariam então a ser conhecidos como ismaelitas – acreditavam que a honra deveria ser de Ismael e na falta deste ser passada então a seu filho, Maomé.

A Subdivisão dos Xiitas

Sendo assim fica claro que aconteceu uma subdivisão entre os xiitas, todos acreditavam que o imã deveria ser descendente de Ali, porém, não chegavam a um acordo de quem seria tal pessoa. O grupo de ismaelitas foi rejeitado e perseguido não somente pelos sunitas como pelos próprios xiitas. Durante algum tempo o grupo não chamou muita atenção sendo que somente no século IX voltaria a pauta.

Os Ismaelitas e suas Conquistas

Foi durante o século IX que o grupo de ismaelitas se concentrou na Síria se tornando um grupo mais consolidado. Na Síria faziam oposição aos abássidas – califado fundado pelo tio de Maomé, o profeta Abbas ibn Abd al-Muttalib. No ano de 909 o grupo teve maior destaque através da figura de um ismaelita chamado Ubayd Allah al-Mahdi Billah que foi o fundador de um estado no norte da África, região que hoje conhecemos como Tunísia.

Dinastia Fatímida

O nome da dinastia passou a ser Fatímidas pelo fato de serem descendentes da filha de Maomé, Fátima e de Ali. Não demorou muito para que essa dinastia conquistasse o Egito e então fundaram a cidade do Cairo no ano de 969 que passou então a ser a capital da dinastia. Na história desse grupo houve um dos califas que foi denominado como sendo divino, al.Hakim que veio a falecer no ano de 1021.

Uma das ordens de Hakim foi que destruíssem a Basílica do Santo Sepulcro localizada em Jerusalém. Essa atitude foi uma das que contribuíram para as cruzadas. O ano de 1094 foi marcado por uma crise na sucessão do califado fatímida. O falecimento de califa al-Mustansir abriu uma discussão sobre quem deveria ficar em seu lugar. A disputa era entre os irmãos al-Musta’li e Nizar.

O apoio dos governantes ficou com al-Musta’li e os demais ficaram conhecidos como Nizaritas. O grupo que apoiava Nizar se refugiou em montanhas do Irã e da Síria. Foi na Síria que esse grupo criou uma seita que recebeu a denominação de hashashin que significa assassinos.

Semelhanças Entre os Grupos do Islã

A grande pergunta que fica quando o assunto é os diferentes grupos dentro do islã é se existem semelhanças entre eles uma vez que a relação é marcada por guerras e conflitos. Tanto xiitas como sunitas acreditam que existe apenas um Deus e que Maomé era o seu profeta. Os xiitas – inclusive os ismaelitas – acreditam que Ali foi o escolhido por Maomé para ser o seu sucessor. Para eles Ali recebeu o dom de interpretar as mensagens de Deus assim como Maomé.

Os ismaelitas assim como o restante dos xiitas acredita que a história do islã está dividida em sete eras sendo que em cada uma existe um profeta que traz uma escritura sagrada. Os profetas teriam um companheiro silencioso que está lá para revelar alguns aspectos das escrituras que podem ser esotéricos. Os primeiros seis profetas seriam Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé. O último teria em Ismael seu companheiro silencioso que regressaria como o profeta do último ciclo.

O sétimo ciclo é o último porque com ele viria o fim do mundo, até esse momento deveriam ser guardados segredos a respeito do conhecimento de maneira que somente os iniciados poderiam conhecer tais segredos.

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Categoria(s) do artigo:
Religiões

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