Religião Tradicional Chinesa

A religião é um assunto de extrema complexidade, visto que, no mundo, existem milhares delas – há algo em torno de 3 mil religiões em atividade no planeta- cada um contendo o seu sistema ou regras a serem seguidas por quem se torna adepto da determinada religião.

Desse grande espectro, destacam-se três, que são o Cristianismo, o Islamismo e o Hinduísmo, sendo o primeiro deles a maior religião do planeta. Concentrando em torno de 2,2 bilhões de fiéis, praticamente 31% da população mundial, o Cristianismo tem experimentado, entretanto, uma queda com o passar dos séculos. Mas nada que ameace a sua liderança perante as outras religiões.

O Cristianismo, em sua essência, adota o sistema monoteísta, ou seja, a crença em apenas um Deus, assim como o Islamismo.  Jesus Cristo também é uma figura importante para os cristãos, já que ele é considerado o filho que Deus mandou à Terra com o propósito de salvar a todos do pecado.

No entanto, na China, que é o país mais populoso do mundo, com 1,2 bilhão de habitantes, o cristianismo é apenas mais uma religião dentre muitas. E, a que mais se destaca é a religião tradicional chinesa, que é o assunto do nosso artigo de hoje. Aqui, você vai conferir um pouco mais sobre essa religião, bem como algumas informações interessantes. Vamos lá?

A Religião Tradicional Chinesa

A religião tradicional chinesa pode ser descrita como uma série de práticas religiosas que tem seus fundamentos definidos nas culturas éticas e costumes dos chineses, que estão baseados no confucionismo, no budismo, no taoísmo e, também, na mitologia chinesa. Por ora, deve-se notar a presença da mitologia chinesa nesse quesito e, também, neste artigo, já que sempre esteve em evidência as mitologias grega e romana, sendo a primeira delas a mais conhecida a nível mundial. 

Ao se falar de religião tradicional chinesa, muitos especialistas julgam que tal nome não abrange o real alcance do que se propõe a nomear. Ou seja, o conjunto de crenças e costumes chineses é tão vasto que o termo “religião” não poderia ter apenas um significado restrito, devendo abranger todas as áreas que são compreendidas na expressão. Tal conjunto passou por reformulações, que possibilitaram a união de todas essas crenças e costumes em uma unidade, cuja expressão é a religião tradicional chinesa. Por conta de alterações que ocorreram recentemente e ainda ocorrem, muitos solicitam a mudança do termo novamente.

Por conta de suas práticas quase que idênticas, as religiões tradicional e popular chinesas são vistas como sinônimas, mas não é bem assim. Apesar de semelhantes em suas crenças, as religiões se distanciam em alguns aspectos.

A religião tradicional chinesa concentra mais de 450 milhões de pessoas na China. Tal número equivale a 6,6% da população mundial, ou mais que o dobro da população do Brasil. Ou seja, existem mais de dois “Brasis” dentro da China que são adeptos das práticas da religião tradicional chinesa. 

No entanto, a religião tradicional chinesa nem sempre respirou ares de paz e tranquilidade. Nos dois últimos séculos da história chinesa, principalmente, entre o Movimento Taiping e a Revolução Cultural, a doutrina sofreu forte perseguição e repressão, quase vindo a entrar em extinção. No entanto, após a Revolução, ensaiou um reerguimento que possibilitou o seu crescimento nos dias de hoje. Atualmente, depois de ter atingido níveis astronômicos de crescimento, a religião tradicional chinesa tem forte apoio do governo chinês.

O Taoísmo e o Confucionismo

Como já dito neste artigo, a religião tradicional chinesa têm influências budistas, taoístas, confucionistas e na mitologia chinesa. No entanto, dentre essas vertentes, o taoísmo e o confucionismo têm certo protagonismo por conta de suas raízes filosóficas.

Uma das diferenças do confucionismo era que Confúcio, o filósofo por trás desse movimento, desconsiderava a ação divina, mostrando um grande apreço pela razão e ação, diferentemente daqueles que se devotavam perante aos princípios taoístas. Eles acreditavam que envolver os deuses em todas as suas ações eram mais satisfatórios. Por conta disso, dentro do taoísmo, havia duas vertentes, sendo um relacionado ao taoísmo religioso e outro estando intimamente ligado ao taoísmo filosófico, do qual faziam parte, dessa última vertente, os renomados pensadores chineses Lao- Tsé e Zuang-Zi. 

Entre essas duas vertentes, surgiu o Budismo, que chegou ao território chinês depois da dinastia Han. Em 1949, por sua vez, o comunismo que acabara de chegar nas terras chinesas, tornou extinto as práticas religiosas no país, usando os templos das religiões para interesses do Estado. No entanto, não durou muito tempo: Em 1978, com a vigência da nova Constituição da China, foi liberado o culto religioso e, desde então, os budistas, cristãos e outras vertentes religiosas puderam expor sua crença.

É válido mencionar que o taoísmo teve papel fundamental nas primeiras práticas religiosas da China, que consistiam na adoração de deuses que eram indicados por Shandi Di, que era conhecido pelos seus fiéis como o “Senhor das Alturas”.

Logo depois do fim da dinastia Han, muitas expressões religiosas surgiram. Mas foi o taoísmo o que mais cresceu desse período. E, ao passar do tempo, cada vez mais, o taoísmo foi conquistando o seu espaço perante as outras religiões. Apesar do seu crescimento, a sua coexistência com as outras vertentes, como o budismo, foi pacífica. 

Mas foi no século VI, onde ocorreu a Reunificação da China, é que o taoísmo viveu o seu apogeu. Expandiu-se por todo império chinês, fazendo com que se transformasse na maior religião do império chinês, ainda assim, convivendo pacificamente com outras manifestações religiosas.

Foi somente com a chegada dos comunistas ao poder, em 1949, que o taoísmo viu sua liderança ameaçada, já que passou a ser combatida e perseguida pelas autoridades. Apesar de sofrer uma grande opressão, depois da publicação da Nova Constituição Chinesa, o taoísmo passou a apresentar uma grande recuperação e, até os dias de hoje, está restabelecendo o seu espaço no território chinês.

Com uma população que ultrapassa 1 bilhão de habitantes, a China se destaca, justamente, pela sua pluralidade cultural e religiosa, pela presença de várias religiões em seu território. 

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Categoria(s) do artigo:
Curiosidades

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